Articulação do Jornal dos Amigos
25 junho, 2012

Proposta de Imposto Único

Da redação do Jornal dos Amigos

Tributos pelo mundo

Há o que diferenciar a tributação direta de produtos e serviços e o imposto de renda. O primeiro regula a economia e o segundo a riqueza. Temos como exemplo a Suécia, país em que a alíquota máxima do imposto de renda (IR) para pessoa física é a mais alta do mundo. Os suecos que ganham bem entregam para o governo até 58,2% dos seus rendimentos. No Brasil, a taxa máxima está em 27,5%, um patamar baixo se comparado ao de nações desenvolvidas e, até mesmo, de países vizinhos como o Chile (45%). As três bases para tributação -renda, patrimônio e consumo- no Brasil não estão bem equacionadas. O que deixamos de pagar sobre nossa renda pagamos pesadamente sobre o consumo. A maioria das pessoas nem se dá conta disso, pois há impostos variados nos preços de todos os produtos que são comprados. As empresas, públicas ou privadas, embutem os tributos em seus preços.

Impostos escorchantes estão embutidos no serviços de telefonia e fornecimento de energia elétrica. Por isso, a carga tributária total do Brasil está entre as mais altas do mundo, no mesmo patamar de países como Alemanha e Canadá, em que o retorno dos impostos pagos -investimentos em educação e saúde, por exemplo- é bem maior. Em abril passado, os 5 milhões de brasileiros que efetivamente pagaram imposto de renda chegaram à conclusão de que estão contribuindo demais para o governo, pois representam apenas 7% da população economicamente ativa do país. E a lógica é, no Condomínio Brasil, quanto menos pessoas existem para pagar a conta, mais cara ela fica...

No Brasil a alíquota máxima do Imposto de Renda - IR é de 27,5%. A carga tributária total sobre o PIB Produto Interno Bruto, somatório da produção de bens e serviços de residentes e não residentes no país- é de 36,4%. Veja abaixo o comparativo em outros países.

Suécia - Alíquota máxima do IR - 58,2%
Carga tributária total (em % do PIB) - 53,2%

Alemanha - Alíquota máxima do IR - 51,2%
Carga tributária total (em % do PIB) - 36,4%

Espanha - Alíquota máxima do IR - 48,0%
Carga tributária total (em % do PIB) - 35,2%

EUA - Alíquota máxima do IR - 46,1%
Carga tributária total (em % do PIB) - 29,6%

Japão - Alíquota máxima do IR - 45,5%
Carga tributária total (em % do PIB) - 27,1%

Chile - Alíquota máxima do IR - 45,0%
Carga tributária total (em % do PIB) - 17,3%

Canadá - Alíquota máxima do IR - 43,2%
Carga tributária total (em % do PIB) - 35,2%

Coréia do Sul - Alíquota máxima do IR* - 41,8%
Carga tributária total (em % do PIB) - 26,1%

México - Alíquota máxima do IR - 40,0%
Carga tributária total (em % do PIB) - 18,3%

Argentina - Alíquota máxima do IR - 35,0%
Carga tributária total (em % do PIB) - 17,4%

Veja no link abaixo como funcionam os tributos no Brasil.
http://www.youtube.com/watch?v=8lXla2IHqYE&feature=share


Proposta de Imposto Único

O que propomos é a Justiça Fiscal. A eliminação de todos os tributos municipais, estaduais e federal e substituição por um único imposto para transações comerciais correntes taxado em 10%, com alíquotas distribuídas em 3,4% para a União, 3,3% para o Estado gerador do tributo e 3,3% para o município gerador do tributo. Essas taxas seriam acumulativas, com a eliminação de créditos tributários. Por exemplo, um veículo sairia de fábrica taxado em 10%. Colocado em uma revenda, sofreria a taxação de mais 10%. O veículo sai então de fábrica ao custo de R$ 20 mil, ao consumidor final ficaria em R$ 24.200,00. O imposto seria recolhido no momento da transação, em formulário próprio com a distribuição dos tributos em contas bancárias da União, Estado e Município.

A carga tributária total sobre o PIB cairia para algo em torno de 25%. Em primeira análise poderia causar déficit em orçamentos de governos. Mas em compensação, a proiferação de novas empresas e a oferta de bens em serviços seria um sucesso tão grande, que o valor total do PIB triplicaria em pouco tempo, com a arrecadação voltando aos níveis atuais e com tendência de alta.

Evidentemente que com esse novo sistema a alíquota do Imposto de Renda deve ser revista, compensando a geração de riqueza, com a justa distribuição também a estados e municípios.

Vantagens do novo sistema

  1. Facilidade de fiscalização e menos fiscais. Um software eficaz gerencia o recolhimento e distribuição.
  2. Maior arrecadação dos municípios possibilitaria:
    - o melhor aparelhamento da defesa civil,
    - criação de corpo de bombeiros civil e polícia local, diminuindo os encargos dos estados com a manutanção de Polícia Miitar e Corpo de Bombeiros Militar, nem sepre presentes nos municípios quando preciso.
  3. A facilidade e simplificação da arrecadação encorajaria a abertura de novas empresas.
  4. Diminuição da corrupção e do custo da arrecadação.

A carga tributária e o imposto único

Por Paulo Vieira, professor de economia

A carga tributária brasileira é muito pesada. Quase quarenta por cento de tudo o que o país produz reverte-se na forma de impostos, taxas e contribuições. E o trabalhador é particularmente sacrificado, pois tem que trabalhar 150 dias no ano apenas para pagar os impostos. É como se, de janeiro ao final de maio, ele não ganhasse nada para si, e tudo o que produzisse entregasse aos órgãos arrecadadores.

Só existe um país no mundo em que o trabalhador tem que trabalhar maior número de dias para fazer frente aos impostos, e esse país é a Suécia, com 178 dias de trabalho. Ocorre que, lá, os impostos retornam aos cidadãos na forma de impecáveis serviços públicos, o que, na maioria das vezes, não acontece por aqui.

Um economista norte-americano, chamado Arthur Laffer, desenvolveu, há alguns anos, um trabalho que ficou conhecido como "Curva de Laffer". Nele, foi feita uma relação entre a elevação das alíquotas e o aumento da arrecadação, e a conclusão foi a de que a arrecadação se eleva, sim, com o aumento das alíquotas, mas somente até determinado ponto, quando se estabiliza, para depois começar a cair, mesmo que as alíquotas continuem subindo, pois há um esgotamento da capacidade de geração da base tributária por parte das pessoas, físicas ou jurídicas, e isso ocorre por uma série de motivos.

Nos últimos tempos, discute-se se a carga tributária brasileira é excessiva. É, mas o problema não é de hoje, já vem de décadas, e é influenciada diretamente pelo peso da máquina pública, que exige cada vez mais recursos. Voltemos ao início do texto e aos dias necessários para que um trabalhador pague seus impostos, no ano. Aquele número vem aumentando em 1 dia a cada ano, desde 2007, o que prova que, apesar do discurso oficial, o brasileiro vem pagando cada vez mais.

Outra característica dos tributos nacionais é o fato de onerar o mais pobre, em benefício do mais rico. Nisso há uma certa e justificada confusão, pois a primeira reação é rebater, dizendo que as pessoas que ganham pouco não pagam imposto de renda, o que está correto. Mas esse é o imposto direto, e o problema se situa nos indiretos, aqueles embutidos nos preços dos produtos, principalmente os que compõem a base alimentar do brasileiro.

No momento em que se fala tanto em redução de juros, bem que o governo poderia dar a sua contribuição, reduzindo os impostos, taxas e contribuições, que respondem por cerca de 30% da taxa final de um empréstimo ou de financiamento, sendo um elemento considerável no spread bancário.

Agora volta à tona a discussão acerca da adoção do imposto único. Em tese, imposto único seria aquele que substituiria todos os outros. Essa ideia não é nova. Há alguns anos, apareceu o projeto do imposto único que, no entanto, acabou na soturna CPMF. Digo "soturna" porque era um tributo que incidia sobre toda a cadeia produtiva e onerava o capital, não o rendimento do capital. De má lembrança, a CPMF logo traz à mente vínculos com a ideia original do imposto único. Por isso, neste instante em que retorna à discussão, ela deve ser muito bem conduzida, para que o chamado "imposto único" não se transforme em mais um tributo a compor a longa cadeia tributária brasileira, e não se transforme em mais um elemento de fragilização da competitividade das empresas nacionais (uma vez que os tributos compõem o preço final de um produto) e de empobrecimento e limitação da renda da população.

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Belo Horizonte, 25 julho, 2012