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Opinião![]()

Enviado
pelo autor, Recife - PE
16 Abril, 2011
Belo Monte: um degrau para o
salto do Brasil rumo ao futuro
Fonte: Wikipédia![]() |
Quando do fechamento das eclusas da barragem de Itaipu -uma área de 1500 km2 de florestas e terras agriculturáveis foi inundada- a cachoeira de Sete Quedas, uma das mais fascinantes formações naturais do planeta, desapareceu. Semanas antes do preenchimento do reservatório, foi realizada uma operação de salvamento de animais selvagens, denominada Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer "pega-bicho"). Equipes de voluntários conseguiram capturar mais de 2 mil bichos, entre macacos, lagartos, porcos-espinhos, roedores, aranhas, tartarugas e diversas espécies. Esses animais foram levados para as regiões vizinhas protegidas da água (Fonte: Wikipedia) |
Por Didymo Borges
Publicado também em InfoBrasil
A construção da usina de
Belo Monte no Pará já foi decidida e está em andamento
ou seja, trata-se de decisão irrevogável. Pouco tem sido
divulgado sobre os fundamentos que levaram o governo federal a levar
adiante esse gigantesco empreendimento que se constitui na terceira
maior hidrelétrica do mundo. Claro está que a decisão
que vai de encontro a ponderáveis opiniões contrárias
à construção da usina, devia ter fortíssimas
razões para ser levada adiante, independentemente da contrariedade
de tanta gente qualificada, inclusive ponderadas vozes de outros países.
Então, cabe ao governo, para não dar conotação
de arbitrariedade, esclarecer para a Nação que a construção
da usina de Belo Monte -cuja decisão favorável à
sua construção está embasada em motivação
que foi devidamente sopesada- em que a motivação foi cuidadosamente
analisada e em consonância com os superiores interesses do povo
brasileiro. Um argumento decisivo que se poderia apresentar é
o de que essa usina dá a certeza de que a próxima geração
de brasileiros estará suprida de energia limpa, ambientalmente
sadia, logisticamente airosa e estrategicamente oportuna.
O recente desastre da usina nuclear de
Fukujima no Japão proporciona motivo para se dizer que esta usina
do rio Xingu dá fôlego ao Brasil para adiar sine die
o recurso às adicionais usinas nucleares, embora, com certeza,
a tecnologia nuclear não possa ser de todo descartável
para os brasileiros no futuro. Mas as usinas de Belo Monte, assim como
as de Santo Antonio e Jirau (essas duas últimas em Rondônia,
no rio Madeira) dispensam qualquer pressa do Brasil em incrementar sua
matriz energética com usinas nucleares nestas próximas
duas ou três décadas.
Um fato importante a minimizar o impacto ambiental da usina de Belo
Monte é a área do espelho d'água da bacia de acumulação
da usina, que é apenas de pouco mais de 500 Km2, ou seja, pouco
mais que o dobro da área da cidade do Recife. Considerando-se
a imensidão da bacia amazônica, a área do lago de
Belo Monte é tão somente um ponto no curso do rio Xingu.
A tecnologia que minimiza o volume d'água acumulado pela barragem
é devido às turbinas Francis, que podem ser de eixos horizontal
e vertical. As de eixo horizontal aproveitam a vazão da água
do rio. As de eixo vertical são acionadas com a queda d'água
proporcionada pela barragem ou pelo desnível no curso do rio
(como as cachoeiras ), ou por ambos os fatores. O projeto de Belo Monte,
evidentemente, privilegiou a minimização do lago da barragem
de tal forma a evitar, por exemplo, o deslocamento de populações
na área do reservatório onde se encontra população
indígena.
As três grandes usinas hidrelétricas ora em construção
na Amazônia (Jirau, Santo Antonio e Belo Monte) marcam também
a nova era de exploração, em grande escala, do potencial
energético da bacia hidrográfica amazônica, iniciada
com a usina de Tucuruí, também no Pará. As mais
avançadas tecnologias de transmissão de energia em extra-alta-tensão
permitem que usinas deslocadas dos grandes centros consumidores, como
Itaipu e as usinas da bacia amazônica, possam ter a energia gerada
consumida a longa distância. Um fato também a permitir
esses avanços da matriz energética brasileira é
a possibilidade da operação do sistema de transmissão
de forma integrada, tendo por cérebro um centro nacional de operação
do sistema.
Todas estas considerações, facilmente inteligíveis
por leigos, nos permite afirmar que o Brasil está se preparando
para o grande salto no futuro, no qual deverá figurar como uma
nação plenamente desenvolvida. Falta tão somente
clarividência para rompermos com nossos preconceitos, maturarmos
politicamente e superarmos o obscurantismo medieval da nossa herança
colonial.
Enviado pelo autor, Teresópolis-RJ
14 abril, 2011
O Brasil vermelho
Entrevista à revista "A VOZ DO BRASILEIRO", de Goiás
Por Waldo Luís
Viana, 54, escritor, jornalista, economista e poeta, formado em Economia
pela Universidade Gama Filho, em 1978. Escreveu diversos livros, dentre
eles Eleições, A Verdade do Seu Voto (Editora
Cátedra, 1988) e Estrangulado Pelas Mãos do Estado
(Editora Nihil Obstat, 2000). Conviveu com vários jornalistas
como Mauritônio Meira, Justino Martins, Esmeraldino Gonçalves,
Pedro Porfírio, Murilo Mello Filho e tantos outros. Exerce hoje
as funções de consultor parlamentar e ghost writer. Vive
atualmente na cidade de Teresópolis, região serrana do
Estado do Rio de Janeiro. Concedeu à RVB goiana esta entrevista
especial
O cenário político nacional é deprimente. A imagem
que passa para o povo é a de que todos os políticos são
farinha do mesmo saco e que não existe mais uma distinção
clara entre os honestos e desonestos. A crise é permanente e
só parece que desaparece quando outra amanhece no cenário
e a anterior perde força. Parece até proposital criar
uma outra crise! Usando a velha máxima popular: Para acabar com
um doido, o remédio seria outro doido. Um Brasil onde sindicatos
como o MST, a Liga dos Camponeses Pobres (que de pobres não tem
nada) podem fazer tudo e não são questionados, têm
carta branca e, com isso, a democracia torna-se anarquia.
RVB Estamos vivendo num país sem governo ou um governo
que estimula a anarquia, para em seguida transformar-se num estado interventor,
instaurando uma ditadura disfarçada de socialismo?
WLV Para os incautos, vivemos numa democracia plena, com todas
as instituições funcionando. Tudo parece muito normal,
mas o estado de guerra civil não declarada é patente.
Só não vê o ovo da serpente quem não quer.
É claro, que enquanto o Congresso Nacional funcionar praticando
as barbaridades e vendas de virtudes públicas, juízes
e desembargadores recebendo seus gordos salários na boca do caixa,
sem atrasos, o Executivo dirigindo a farra dos sindicatos (movimentos
sociais e pelegos que gravitam em torno dele), todos pensarão
que não há anormalidades nas capitais. A Educação
e a Saúde estão em estado de calamidade pública,
havendo também uma situação crônica de crise
nas estradas, nos transportes, no saneamento, na habitação
e nos salários de fome oferecidos. O fato de não se ter
a sensação de que tudo isso acontece é devido a
um estado permanente de propaganda plantado com os recursos do quadrilátero
de prosperidade, dos feitos da Petrobrás, do BNDES, do
Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal que não
foram criados por esse governo para avalizar suas realizações.
São essas instituições que seguram a administração
Lula.
RVB Com tantos falsos benefícios que o governo oferece,
ele torna o país mais dependente do governo, menos competitivo
e mais elitizado?
WLV Quando o Estado se mete em áreas que não deveria,
é sinal de que a sociedade funciona mal, e sozinha. O Estado
contemporâneo deve ter papel regulador, incentivador de atividades,
de construtor de marcos regulatórios e de agências fortes
de fiscalização das atividades privadas e nobres. Quando
o governo é privatizado por elites patrimonialistas e egoístas,
torna-se fiador de uma reprodução mercantilista privada
e concentradora de rendas. A despeito dos aparentes esforços
do governo Lula de distribuir rendas e construir uma sólida classe
C, ele não mexeu nos privilégios dos ricos internos e
dos rentistas externos. Como sempre, a renda continua concentrada nas
mãos de poucos e manipulada a partir de Brasília, que
continua sendo uma ilha da fantasia apartada da fiel realidade do País.
Como a classe média e os aposentados não têm votos
nem poder de barganha, foram os mais severamente penalizados nesses
quase oito anos de mandato...
RVB Como jornalista experiente e conhecedor do sistema, qual
a sua avaliação da atual crise no Senado, que finge ter
passado, mas é abafada por outras crises?
WLV No Brasil, todo bom escândalo é substituído
por outro, que se torna ótimo e nos faz esquecer
o anterior. Como nada se resolve e tudo permanece como está,
a história brasileira apresenta-se como uma sucessão de
escândalos não resolvidos que acabam por anestesiar a população.
Ninguém quer saber de nada, a não ser se for mobilizado
pela mídia. Assim, a crise do Senado passou porque outras a substituíram
e vão ocupar o interesse dos comentadores das ruas, das filas
dos bancos e dos botecos. E a vida (a farra) continua...
RVB Mas como fica o Senado diante do povo: sem moral ou o povo
gosta mesmo é de desonestos na política?
WLV O Senado está entregando o ouro ao bandido, ou seja,
demonstra, por atos e omissões, inclusive por atos secretos,
que não é necessário para preservar e proteger
a Nação. Com oito mil funcionários ou mais, é
um peso elitista, quase uma excrescência e poderá um dia
ser apontado pelo povo como um valhacouto imprestável de ladrões
velhos. Caminha para ser impedido de funcionar. Aliás, muitas
democracias boas no mundo funcionam sob regime unicameral...
RVB Antes Sarney e Collor eram ladrões para Lula e agora?
WLV Antes, os políticos fingiam que não tinham
memória. Hoje, com o vídeo tape e a Internet, que provam
o que disseram antes, contráriando os seus interesses, eles simplesmente
se calam, provando que são mesmo safados.
RVB E qual a saída para se ter uma política menos
corrupta?
WLV Não tenho ilusões. Com 54 anos, não
creio que leis mais duras irão pegar, porque são escritas
pela mesma elite corrupta que deveriam punir. O desleixo começa
pela lei eleitoral, que gera todas as outras. Se o sistema eleitoral
é completamente viciado, não temos como fugir de que seu
exercício também seja corrompido. E o resto é pura
consequência disso tudo. Soluções existem, mas não
se faz omelete sem quebrar os ovos...
RVB O Brasil deveria seguir o exemplo de Honduras para acabar
com a falsa democracia, pois o Brasil parece estar sendo governado por
gangsters, que fazem o que bem entendem, debochando do povo e nada dá
em nada?
WLV O Brasil é grande demais para uma solução
do tipo Honduras, uma república de bananas controlada por seis
ou sete famílias corruptas. Nesse conflito de Honduras, todos
são culpados e não há santos. No Brasil, um país
mais complexo, a 8ª economia do mundo, o buraco é mais embaixo.
Nossas instituições aguentarão ainda muitos golpes
até haver uma conflagração. O mingau aqui é
comido pelas beiradas. O brasileiro não protesta, aparentemente.
A violência difusa, não orgânica, é prova
de que a sociedade se movimenta, degenerando-se dia a dia. Esse movimento
surdo vai chegar a um ponto que tornará insuportável a
vida nas grandes cidades. Os corruptos não entendem o mal que
fazem e avançam sobre o dinheiro público como se não
fosse de ninguém. No entanto, não percebem que seus filhos
têm que sair escoltados para as escolas e festas e seus netos
correm o risco de serem sequestrados e assassinados por alguém
que tenha sido prejudicado pela corrupção praticada.
RVB No Brasil, quando um cidadão reivindica seus direitos,
como, por exemplo, pronto atendimento nos hospitais, é comum
ver a polícia bater no cidadão já doente. O MST
invade propriedades constantemente e a polícia só acompanha,
sem intervir. Isso é discriminação ou as instituições
financiadas pelo governo têm mais direito que os outros cidadãos?
WLV A cidadania no Brasil está agachada, de cócoras.
Temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, do Consumidor e
do Idoso, mas os direitos pretensamente garantidos por eles não
são seguidos. A polícia não é cidadã,
não é treinada para isso e seus integrantes repetem a
violência dos seus patrões no governo. Qualquer revolta
em estações ferroviárias, em comunidades faveladas
ou nos centros urbanos é severamente punida como manifestações
orquestradas por pessoas que querem desestabilizar os governos. Não
se procura entender o que dizem as reivindicações, as
verdadeiras causas das revoltas, porque no cerne da conduta governamental
está a tendência de deixar tudo como está. Hoje,
as greves só são feitas no âmbito do serviço
público, porque os funcionários têm estabilidade
no emprego e, por isso, podem reivindicar. Os trabalhadores dos setores
privados, oprimidos pelos temores do desemprego, nada reivindicam e
têm cada vez menos poder de barganha na luta por seus direitos.
E quem não tem trabalho ou é aposentado, meu Deus!, está
sujeito a sofrimentos e injustiças que todos presenciamos...
RVB O presidente Lula tem se apresentado como o salvador da Pátria.
No entanto, ele se esquiva de todas as situações difíceis
usando metáforas ou fazendo gracinhas. Uma delas foi dizer: Mesmo
que a Amazônia fosse careca, não poderia se comprometer
com o desmatamento zero. Por quê?
WLV A comunicação do presidente é feita
sob medida e de caso pensado para convencer as pessoas do povo de que
ele é um ser igual, uma pessoa comum. Ele modifica até
o tom de voz nos comícios, fingindo uma emoção
completamente estudada, a não ser quando na noite anterior bebeu
um pouco além da conta. Quem tem o mínimo treinamento
a respeito de alcoolismo sabe que as faces vermelhas e inchadas do presidente
em alguns comícios, evitadas pacientemente pelos flashes da televisão,
são consequências de situações alcoólicas
vividas na noite anterior. Nesses momentos, ele solta, às vezes,
metáforas e inconveniências típicas, interpretadas
pelos áulicos e aduladores como tiradas de enorme inteligência.
Infelizmente, esse é o papel dos bajuladores: defender o governo
porque estão também mamando nas tetas...
RVB Lula fala para o mundo que o brasileiro tem que ter seu lugar
ao sol, mas aqui dentro oprime o cidadão com imposto e mais imposto
e, em contrapartida, dá esmola ao cidadão. Isso não
é tirar, na prática, o sol do cidadão?
WLV Os impostos são a forma histórica de manter
de pé estados aristocráticos, com os conhecidos e notórios
privilégios da corte. Como o governo não produz nada,
só pode se manter, nababesca e perdulariamente, cobrando os 73
impostos que atualmente temos. Hoje, a situação do brasileiro
é pior do que no período da derrama, que gerou os protestos
da Inconfidência Mineira, em 1792. O governo se funda no fato
de que o brasileiro é tolerante e suporta tudo, até ser
roubado em 430 bilhões de reais por ano, sem nenhum protesto.
E assim continuará até que a corda estique de maneira
insuportável. Aí surgem as revoluções...
RVB Lula diz que prefere dar dinheiro (a esmola do bolsa-família)
a diminuir impostos. Que política é essa?
WLV As esmolas, em nossa sociedade, não ofendem o cidadão,
mas amoldam o seu caráter para não haver revoltas. O paradoxal
é que a conciliação das elites patrimonialistas
e egoístas com a plebe ignara é realizada em conluio com
um governo que se diz de esquerda socialista. É o tropicalismo
ideológico, misturado às tradicionais corrupções
e sem-vergonhices que aqui abundam!
RVB O senhor viu a reforma política que fizeram, ou melhor,
ajustaram os interesses para 2010?
WLV Todas as reformas políticas e eleitorais no Brasil
serão superficiais enquanto forem feitas por aqueles que são
beneficiados pelo quadro político que aí está e
que não garante isonomia para os cidadãos, a não
ser no papel. As eleições de 2010 serão vencidas
pelas elites através da votação obrigatória
e eletrônica, sem recibo. É o voto de cabresto contemporâneo.
RVB A popularidade do presidente Lula é real ou o Brasil
já aceitou o cabresto?
WLV A popularidade do presidente é real e oscila pouco
porque o brasileiro está acostumado a migalhas e admira, no fundo,
os espertos e ladrões. Isso já faz parte do imaginário
social e do cabresto mental de um povo marcado, como gado, mas que é
profundamente feliz!
Música
de fundo em arquivo MIDI (experimental):
"O trenzinho do caipira", de Eytor Villa Lobos
Nota para a seqüência Midi: ****
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