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25 fevereiro, 2008
Como é feito um poço
de petróleo
Por Luiz Sergio Lima, ex-gerente
da Petrobras
Para entender é preciso
recapitular como é feito um poço de petróleo.
1- A geologia sai pelo mundo
afora fazendo sísmicas para mapear formações
onde pode ter ocorrido a formação de hidrocarbonetos
(óleo e gás). Após estudos estatísticos,
defini-se um alvo e manda-se perfurar.
2- A exploração
desloca um equipamento (sonda em terra e plataforma no mar)
para perfuração. Uma tubulação vazada
com uma broca na ponta vai erodindo formações
abaixo. O cascalho resultante retorna a superfície carreado
por um fluido que é injetado na tubulação
vazada, sai pela broca e volta a superfície transbordando
em tanques com um sistema de peneiramento. Sempre tem alguém
nas peneiras monitorando o que chega. Ao menor indicio de gás
ou óleo, para-se a perfuração para testes.
3- Os testes são de vários
tipos: teste de formação (abre-se o poço
de forma controlada e espera-se para ver o que sai), perfilagem
etc. A perfilagem consiste na instalação de uma
unidade na sonda ou plataforma que é mantida em container.
É descido no poço um sensor (geralmente radioativo)
que capta os tipos de formações e se existe óleo
e/ou gás nas formações, com grande precisão,
estas informações são registradas num computador
e mandadas a quem interessar possa.
4- Então chegamos aonde
eu queria. Essa operação, como muitas, é
TERCEIRIZADA. A Halliburton sempre fez este serviço para
a Petrobras. Os dados vão aparecendo na tela, o operador
vendo, vendo, vendo e tudo bem. Terminado o serviço,
recolhe-se tudo, faz-se o relatório e pronto. Resumindo,
é uma coisa que somente Deus, o operador, a Halliburton
e toda a torcida do
Flamengo e do Bahia ficam sabendo. Canso de ver artigos de geólogos
sobre poço tal, com presença de hidrocarbonetos
nas formações tais e tais.
5- Se a Petrobras quer mesmo
manter secretas suas informações, PARE DE
TERCEIRIZAR operações importantes. Resumindo:
P A L H A Ç A D A. Acredito no roubo de notebooks e no
esquecimento dos gastos de certa dama com cartões corporativos...
6- Aproveitando, TUPI e JUPITER
não foram descobertos ontem. Tem no mínimo três
anos (somente Deus, o operador, a Halliburton e toda a torcida
do Flamengo e do Bahia sabiam). Essa "bomba" só
veio a publico para esquecermos do próximo apagão
e para muita gente ganhar dinheiro (e muito) na bolsa. Compram-se
ações, divulga-se uma noticia que vai levar a
Petrobras para a OPEP, as ações disparam, vende-se
na alta e fica-se mais rico...
Enviada pela autora, Alegrete-RS
9 fevereiro, 2008
Cidadania
Por Sandra Silva, socióloga
e jornalista
A Constituição
Brasileira garante a legitimidade de saber qual o destino que
os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dão
ao dinheiro pago pelos contribuintes pela via dos impostos,
taxas e contribuições.
O processo para essas informações
pode ser obtido através das publicações
oficiais impressas e na internet em saites (ou sítios,
como se quiser dizer) específicos. Essa popularização,
contudo, não atingiu a maior parte da população,
ainda que o acesso a essas informações esteja
sendo cada vez maior diminuindo a escuridão que até
bem poucos anos atrás cobria a gastança pública.
Considerando os últimos
fatos que envolvem gastos tidos como exagerados na administração
pública, os brasileiros precisam tomar sentido de que
faz parte do cidadão contribuir para que sua Pátria
seja um espaço digno e de respeitabilidade. Dessa forma,
e sob a legitimidade do estado de direito, os brasileiros devem
estar atentos as despesas públicas efetuadas pelos eleitos
no desempenho de seus mandatos, ou dúvidas que tenham
e que não encontraram respostas nos veículos oficiais
de prestação de contas. Isso não é
desacato nem desrespeito, mas uma forma saudável de exercício
democrático, aliás, aspecto muito preconizado
por grande número dos atuais gestores políticos
brasileiros em época bem recente.
Para tanto, basta que o cidadão que está desconforme
com o que tem de conhecimento ingresse com uma representação
no Ministério Público relatando suas dúvidas
e/ou denúncia.
Não há necessidade
de advogado para esse procedimento. É garantia constitucional.
O contribuinte também pode questionar o órgão
do qual não está satisfeito através de
pequena petição. É seu direito saber e
dever da administração responder com propriedade,
celeridade e verdade. Outro caminho que os cidadãos podem
seguir para por ponto final nas dúvidas é dirigir-se
à Ouvidoria do Tribunal de Contas, através de
carta ou e-mail, relatando o estado contraditório sobre
a questão que entende não estar transparente.
O cidadão pode ter a certeza que haverá sigilo
absoluto no decorrer do processo. A origem da denúncia
somente será revelada em casos excepcionais, o que é
muito raro. Os critérios de responsabilidade e segurança
são bastante rígidos preservando os cidadãos.
Abaixo está o endereço
de três sítios onde os contribuintes poderão
acompanhar onde são aplicados os recursos públicos
que são arrecadados por resultado do pagamento de seus
impostos e que não podem ter outro destino que não
seja o da aplicação em obras para o benefício
da sociedade que os gerou. Anote:
http://www.portaldatransparencia.gov.br;
http://contasabertas.uol.com.br;
http://www.2.camara.gov.br/transparencia.
Além desses sites busque informações sobre
os endereços eletrônicos do Executivo e Legislativo
de seu município onde possa acompanhar as aplicações
e despesas realizadas. O ano é eleitoral e nada mais
equânime e de bom senso do que fazer uma análise
técnica das aplicações financeiras dos
partidos políticos que estão no poder para saber
se honraram o compromisso de bem administrar a coisa pública.
Já é um parâmetro para a decisão
eleitoral.
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